FRANQUIAS MULTIGERACIONAIS: POR QUE UNIR JOVENS E PROFISSIONAIS 50+ PODE SER A CHAVE DO SUCESSO

Consultorias

Em um Brasil que envelhece rapidamente e redefine as regras do mercado de trabalho, as franquias multigeracionais começam a despontar como um modelo com alto potencial de crescimento. Ao unir a energia e agilidade dos mais jovens com a experiência dos profissionais 50+, essas redes conquistam performance, engajamento e conseguem se conectar com públicos diversos. Esse movimento não acontece por acaso. De acordo com o IBGE (2024), o país já conta com 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais — número que saltará para 55 milhões até 2040, representando quase um quarto da população brasileira.

Em paralelo, mais de 13 milhões de brasileiros com 50 anos ou mais seguem ativos no mercado de trabalho. E essa permanência não se dá somente por necessidade financeira, mas também por propósito, saúde e desejo de continuar produtivo. Diante desse cenário, especialistas apontam que o franchising pode se beneficiar diretamente do chamado modelo intergeracional, em que diferentes idades se complementam dentro de um mesmo negócio.

Um pacto entre gerações dentro do franchising

Segundo Marcelo Cherto, fundador da Cherto Consultoria e uma das maiores autoridades em franchising do Brasil, esses dados revelam mais do que uma mudança demográfica. Eles mostram um caminho estratégico para as franquias multigeracionais. “Esse modelo ainda não é uma tendência plenamente consolidada, mas tudo leva a crer que vai se expandir — por necessidade e por inteligência de negócio”, afirma.

O envelhecimento acelerado da população, combinado à permanência dos profissionais 50+ no mercado e à valorização da diversidade etária nas empresas, cria um terreno fértil para esse formato. Cherto lembra que a aposentadoria se tornou um sonho distante para muitos. Mesmo aqueles que poderiam parar, escolhem permanecer ativos por saúde física, mental e até financeira. Ele cita ainda uma experiência pessoal marcante: aos 70 anos, participou de um curso na Harvard Business School.

“Fui o mais velho da turma, por pelo menos 25 anos. E fui acolhido com respeito e entusiasmo. O que valia ali não era minha idade, mas minha bagagem e disposição para compartilhar”, relembra. Essa convivência entre gerações já é valorizada no ambiente corporativo e agora ganha espaço no franchising. O relatório Novo Pacto Social (2024) apontou que 42% dos trabalhadores estão em empresas que reconhecem a diversidade etária como valor estratégico, enquanto 35% têm acesso a infraestrutura adaptada para diferentes faixas etárias.

Vantagens competitivas das franquias multigeracionais

A diversidade etária não é apenas uma questão de inclusão, mas uma vantagem competitiva clara para as redes de franquias. Segundo Cherto, quatro pilares tornam esse modelo mais forte: Conexão com públicos diversos – franqueados mais velhos criam empatia com consumidores maduros, enquanto os mais jovens dominam linguagens digitais e ampliam a presença da marca em novos canais. Transferência de conhecimento – os profissionais experientes ajudam a acelerar o aprendizado dos mais novos, garantindo que o know-how seja preservado e multiplicado dentro da rede. Redução do turnover, já que equipes multigeracionais tendem a ser mais estáveis. Os mais velhos valorizam o senso de pertencimento e se tornam referências para os jovens, reduzindo a rotatividade. Inovação equilibrada, que possui a combinação de energia jovem com a sabedoria acumulada gera soluções mais eficazes. Até mesmo na inteligência artificial, quem tem repertório mais amplo consegue criar prompts melhores e obter respostas mais precisas.

Apesar das inúmeras vantagens, o modelo intergeracional também traz desafios que não podem ser ignorados. Entre eles estão os conflitos de geração, barreiras tecnológicas e a necessidade de adaptar treinamentos e processos de onboarding.

Cherto alerta que líderes precisam ser preparados para mediar conflitos e praticar escuta ativa. Além disso, o respeito é essencial. “Velho não é criança, nem idiota. Poucas coisas me irritam tanto quanto ouvir ‘levanta o bracinho’ num laboratório. É preciso respeitar sem infantilizar”, comenta com humor.

Para estruturar franquias multigeracionais, é necessário adotar práticas como mapeamento de perfis e expectativas dos franqueados e equipes, capacitação de líderes em gestão, intergeracional, treinamentos adaptados e plataformas inclusivas, rotinas flexíveis que respeitem limitações físicas sem excluir, estímulo ao mentoring reverso, no qual jovens também ensinam, principalmente em tecnologia.

O futuro das franquias multigeracionais no Brasil

O Brasil está diante de um cenário único. O envelhecimento populacional não é apenas um desafio social, mas também uma grande oportunidade para o franchising. As franquias multigeracionais surgem como um caminho natural para empreendedores que buscam negócios resilientes, inovadores e capazes de dialogar com diferentes públicos. Ao unir a energia jovem com a sabedoria acumulada dos mais velhos, o franchising ganha mais força, reduz riscos e se adapta às transformações sociais e econômicas do país.

Esse modelo não é apenas uma tendência — é uma necessidade. E quem sair na frente terá vantagem competitiva em um mercado cada vez mais exigente.

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