DE 3 A 5 ANOS DE RETORNO: SEIS DIFERENÇAS ENTRE INVESTIDORES DE FRANQUIAS NOS EUA E BRASIL

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O mercado de franquias nos EUA apresenta diferenças relevantes em relação ao Brasil. Dados divulgados pela revista Entrepreneur, durante evento da International Franchise Association, mostram um perfil mais estruturado.

Segundo o levantamento, 51% dos novos franqueados norte-americanos possuem mais de US$ 1 milhão disponíveis. Além disso, 75% pretendem utilizar crédito bancário como estratégia de crescimento. Dessa forma, a franquia é vista como um ativo financeiro. Diferentemente do Brasil, o foco está no planejamento de longo prazo e na construção patrimonial.

Segundo Paulo Mauro, CEO da Global Franchise, empresa especializada em expansão internacional de redes, o contraste com o Brasil é evidente. “Nos Estados Unidos, a franquia é encarada como ativo de investimento. O franqueado aceita maturação mais longa e estrutura capital para isso. No Brasil, ainda existe forte expectativa de retorno rápido, muitas vezes incompatível com a realidade operacional”, comenta. 

Outro dado relevante sobre franquias nos EUA é o perfil dos investidores. Cerca de 67% já tiveram experiência como empresários, além disso, 72% estão empregados enquanto buscam uma franquia. Isso indica planejamento e transição de carreira estruturada.

A maioria tem entre 40 e 50 anos. Ainda, 85% são casados, o que reforça estabilidade financeira e maturidade profissional.

O acesso ao capital também destaca as diferenças entre os mercados. Nos Estados Unidos, além dos 51% com mais de US$ 1 milhão, 25% possuem entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão.

No Brasil, por outro lado, o crescimento das microfranquias impulsiona investimentos a partir de R$ 100 mil. Assim, o modelo é mais acessível, porém mais limitado. Além disso, 75% dos americanos utilizam financiamento. Já no Brasil, o alto custo do crédito dificulta esse tipo de estratégia.

A expectativa de retorno também varia significativamente. Nos Estados Unidos, o ponto de equilíbrio ocorre entre um e dois anos. O retorno total, por sua vez, é projetado entre três e cinco anos. Esse prazo indica maior tolerância ao amadurecimento do negócio.

No Brasil, entretanto, muitos investidores esperam retorno em menos de dois anos. Essa expectativa pode gerar riscos e fechamento precoce de unidades.

Outro ponto importante é a mentalidade de investimento. Cerca de 84% dos americanos não se importam com afinidade com o negócio.

Nesse contexto, a prioridade é a rentabilidade. Portanto, a franquia é vista como instrumento de geração de renda.

Entre os setores mais procurados estão serviços B2C, B2B, saúde e fitness. Esses segmentos oferecem previsibilidade e recorrência.

Para redes brasileiras, entender o mercado de franquias nos EUA é essencial. A expansão internacional exige adaptação estratégica. Segundo o CEO da Global Franchise, não basta replicar o modelo nacional, é necessário ajustar estrutura financeira, prazos e proposta de valor, assim, as chances de sucesso aumentam significativamente.

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